Terça, 07 de Fevereiro de 2012
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Seguindo nossos textos culturais, Umbanda também é cultura, trago hoje um pouco dos compositores do início do século passado, os fundadores, os criadores do nosso bom e velho samba.

Estes compositores homenagearam os Orixás, as giras, as entidades, e seus sacerdotes. Todos os citados neste texto são considerados os pais do samba.
O samba, que é um gênero musical nascido no Brasil, é também o nome que damos a música em nossos terreiros, ou seja o samba de terreiro. Em algumas casas, inclusive, o responsável pela música é chamado de samba, de Ogã de Samba, ou capitão de samba.

A maioria das músicas não foram remasterizadas, mas podem ser encontradas em alguns sites. Entre estas porém, encontramos algumas que já foram dezenas de vezes regravadas, como é o caso de Feitiço da Vila. Uma cantora que gravou estes compositores foi Clementina de Jesus (têm um CD dela cantando as músicas de João da Baiana).

Interessante nestas músicas é saber que muitos desses compositores freqüentavam as casas das Tias do Rio de Janeiro. Estas casas eram locais onde a gastronomia, a religião e a música estavam sempre conectadas com a Ãfrica. João da Baiana e Donga, por exemplo, eram filhos ou parentes destas senhoras que foram grandes mulheres e que resistiram a força policial, e a repressão do Estado.

Na época destas composições a polícia literalmente considerava qualquer batuque arruaça, entrava, quebrava os instrumentos e prendia os sambistas.

João da Baiana conta que um dia conheceu um senador e falou para ele que estava cansado de perder seus instrumentos. Então o senador deu a ele um pandeiro. Toda vez que a polícia baixava, João dizia "este pandeiro é do senador quer quebrar??" E então sempre tinha seu pandeiro intacto. Parece que algumas coisas não mudam com o tempo, não é verdade?

Existe um samba chamado Delegado Chico Palha, cantado por diversos sambistas da atualidade que retrata a figura de um policial na época destas composições, e podem dar a noção do que se passva com o samba, a Umbanda e o Candomblé no início do século passado.

“Mas, apesar do preconceito, o sucesso era perfeito, quando o Samba ia para a cidade.†(diz um samba cantado por Zeca Pagodinho). Graças a estas casas das Tias, a estes sambistas, e tantos homens e mulheres que bravamente resisiram a tudo isto que temos hoje a nossa Umbanda e o nosso Samba.

Façam um bom proveito, pois estas modas de samba são muito inspiradoras.

Saravá a curimba, a Ngoma (engoma), saravá o samba de terreiro.

Aque os Orixás possam abençoar estes sambistas de outrora que deixaram um legado a todos nós.

Nome da música – (compositores)

  • Já andei (Pixinguina, Donga e João da Baiana)
  • A Bahia te espera (Herivelto Martins, Chianca de Garcia)
  • Canjiquinha Quente (Sinhô _ José Barbosa da Silva)
  • Carga de Burro (Sinhô)
  • Eu tenho um burro (Sinhô)
  • Feitiço Gorado (Sinhô)
  • Alodê (Príncipe Pretinho cantado por Ataulfo Alves)
  • Cosme e Damião (Heitor dos Prazeres)
  • Iemanjá (Heitor dos Prazeres)
  • Amalá de Xangô (João da Baiana)
  • Babalaô (João da Baiana)
  • Banho de Ervas (João da Baiana)
  • Cosme e Damião (João da Baiana)
  • Lamento de Inhaçã (João da Baiana)
  • Lamento de Oxum (João da Baiana)
  • Lamento de Xangô (João da Baiana)
  • Macumba de Mangueira (Almirante)
  • Caboclo do Mato (João da Baiana e Getúlio Marinho)
  • Homenagem a Oxalá (João da Baiana)
  • Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico)
 



Iniciamos recentemente algumas postagens sobre a cultura. Resolvemos iniciar pelas músicas, e uma influência que a Umbanda recebe e que o samba, e outros gêneros sofrem é o tradicional jongo. Oriundo de Angola, muitos Quilombos mantém viva esta cultura ancestral. Entre estes quilombos o Quilombo de São José postou no Youtube algumas explicações que valem muito a pena observarmos, seguem os links:


http://www.youtube.com/watch?v=bSSEDq1yaw8 (Quilombo São José – Jongo Part. 1 / 3)

http://www.youtube.com/watch?v=StWVU-RVayo (Quilombo São José – Jongo Part. 2 / 3)


http://www.youtube.com/watch?v=BEl9r3Vqu1w (Quilombo São José – Jongo Part. 3 / 3)


Depois se alguém quiser apreciar a dança e a música acesse:

http://www.youtube.com/watch?v=D9QkzRXMzOg Quilombo São José – música jongo fui na mata)


saravá os nossos ancestrais, saravá a Ãfrica, viva a resistência negra que nos permitiu viver a Umbanda

 

Umbanda é uma religião, isto é ponto pacífico. A Umbanda é um modo de vida, uma filosofia, isto acredito de corpo, mente e alma. A Umbanda é um movimento cultural, um outro ponto de vista que resolvi abordar.

Quando digo um movimento cultural digo que influencia a forma das pessoas se vestirem, se portarem, pensarem, comerem, se entreterem, etc. O mais óbvio e de fácil percepção é a música, afinal são muitas as músicas que falam dos Orixás, falam das entidades, falam dos rituais da Umbanda. Mas, muitos são os filmes, os livros de literatura, as artes plásticas, a gastronomia entre outras manifestações populares e culturais que estão diretamente ecoando a nossa Umbanda.

Comecemos pela música, em especial o samba. Este gênero musical tem influência da Umbanda desde a sua harmonia, sua tocada até as suas letras. A origem do samba está intimamente ligada as macumbas cariocas, as casas das Tias (onde a roda de samba de choro e de macumba, candomblé ou cabula aconteciam, foram o berço do Samba, e de muitos terreiros).

Para falarmos de música, escolhi um cantor e compositor que me abriu a porta do samba, e deste universo: Zeca Pagodinho. Tanto em músicas de sua autoria como de diversos outros compositores Zeca Pagodinho em praticamente todos seus discos traz alguma referência sobre a nossa Umbanda. A mais recente é uma música em homenagem ao seu Orixá de cabeça, Ogum. Antes já havia homenageado São Jorge (“Pra São Jorgeâ€), e nesta música apresentava ícones e símbolos umbandistas, bem como já havia composto e gravado “Lua de Ogum†junto com Ratinho, e “Minha fé†(Murilão e Direto), todas falando de Ogum.

O mesmo Zeca Pagodinho gravou músicas como:

-“Hoje é dia de Festaâ€;
- “Chico não vai na Curimbaâ€;
- †Cabocla Jurema†(Efson e Nei Lopes);
- “Bamba no feitiço†(Zeca Pagodinho e Wilson Moreira);
- “É D’Oxum†(Gerônimo / Vevé Calazans);
- “Falange do Erê†(Arlindo Cruz e Sombrinha);
- “Patota de Cosme†(Nilson Bastos \ Carlos Sena);
- “Yaô cade a Samba†(Campolino e Tio Hélio),etc.

Existem, também, algumas músicas que tratam de assuntos diversos como amor, trabalho, devoção, e trazem em suas letras ritos da nossa amada Umbanda, como a música “Ãgua da Minha Sede†(Zeca Pagodinho) que em uma das estrofes finais traz: – “Sua renda me rodou / Foi a gira / Foi canjira que me enfeitiçou / Apaixonado / Preciso do seu amorâ€.

Entretanto existem outras músicas tratam de práticas mágicas populares, muitas vezes as que tanto combatemos em nossos terreiros. Estas músicas abordam feitiços, amarrações, pragas empregadas por muitos, e que não fazem parte da Umbanda, e sim são práticas, repito, que a Umbanda combate. Entre estas músicas uma de Aldir Blanc e João Bosco, já gravada por Zeca Pagodinho, a música é “Boca de sapo†fala assim: “Costurou na boca do sapo / um resto de angu / A sobra do prato que o pato deixou. / Depois deu de rir feito Exu Caveira: /marido infiel vai levar rasteira. Bisâ€. “Vou botar teu nome na macumbaâ€, segue a mesma linha.

Enfim muitas são as músicas, muitos compositores, e vou começar a postar alguns artigos sobre filmes, músicas, literatura, etc. E fico aberto a sugestões e ficaria grato com indicações de filmes e músicas.

Saravá.
 

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